sábado, 2 de maio de 2015

MANUAL PRÁTICO DA MULHER SOLTEIRA INDEPENDENTE: Episódio "medo do dedo no cú ou o famoso fio terra"


Início de namoro ou de pegação é sempre um frenesi. Descobrindo cantinhos, carinhos trocados, aquele frio na barriga, uma vontade de ficar grudado na rua, na chuva, na fazendo ou numa casinha de sapê. Tudo muito bem, tudo muito bom. A conversa flui e o sexo também. Até que chega o grande dia de tentar algo novo. E eu não sei o que passa pela cabeça dos rapazes de usar o seu bilau como um desavisado, e tentar enfiar o seu companheiro no buraco que não lhe é devido (ou ainda não lhe é devido). Não, não estou dizendo que sou contra qualquer forma de expressão de amor, e cada um faz com o seus buracos o que bem entender. O problema é que aprendi que certas coisas se conquistam, não se tomam. É como se rolasse um "vai que...". Vai que ela tope? Vai que ela não perceba? Vai que ela goste? Vai que ela estranhe no começo e goste depois? Vai que o quê camarada? Eu, hein!
E ai a gente fica numa saia justa do caramba. Muitas "amigues" conversam comigo sobre isso, o grande dilema feminino do começo de relação: dar ou não dar o cu (desculpe a palavra vulgar, mas não encontrei melhor termo... Bunda? Rabo? Sei lá... preferi cu). Elas vivem sérios momentos de dúvidas... porque simplesmente muitas temem o medo do preconceito! Pois é. "Se eu liberar logo assim, de cara, vai achar o quê?" Ou: "Eu nem gosto muito, mas a relação está tão legal, tá fluindo e eu tenho medo de perder o cara". Ou até mesmo: "Ah, eu vou tentar porque eu preciso agradar o outro".
NÃÃÃÃO!
Amigas mulheres solteiras, não se agridam, não ousem fazer nada que não esteja de acordo com suas vontades e desejos. Isso é um retrocesso, e a sua bisavó que usou aquele lençol com buraco bordadinho no meio deve estar se revirando no caixão com uma atitude dessas! Imponha-se, e use a língua que Deus lhe deu para outras coisas... tipo assim... falar? Comunicar-se é uma boa.
Dica para as amigas mulheres solteiras independentes: querida amiga, se você não quer liberar o buraco negro, faça como eu, use a cartada do toma lá dá cá. Se o jovem mancebo vier com o peru perdido pra cima de você, para tudo! Chame o cara pra conversar e diga que você adora comer cu de homem, e você dá o seu na condição de comer o dele. Justo, correto, igualitário, ganha-ganha. Funciona sempre.
Alou vocês, rapazes que possuem perus bêbados, caros conquistadores comedores compulsivos de rabos, eu acho que vocês podem fazer muito melhor do que essa canalhice do pau perdido. A gente não é idiota. A gente não é burra. A gente muitas vezes só não quer falar a verdade pra não magoar você. Mas a gente tá mudando, e um dia você pode se deparar com um dedo perdido enfiado no seu rabo. Vai por mim... E quer saber? Seja carinhoso, confiável, e entregue na medida certa o que sua parceira deseja. Não é por força nem por violência que se conquista algo e se faz uma revolução, inspire-se em Gandhi. Beijo, e não me liga.

terça-feira, 28 de abril de 2015

MANUAL PRÁTICO DA MULHER SOLTEIRA INDEPENDENTE: episódio o Homem-Censo. (Tinder SP)



Resolvi fazer um experimento e usei o Tinder em SP. Primeira sensação foi de choque total. Diferente dos cariocas que exibem muito, praia, corpo, sunga, e bens, muitos bens... os de São Paulo botam a cara no sol. Sim, eles sabem o que querem e dizem de forma direta e objetiva qualidades, defeitos, o que procuram. Há aqueles que dizem o que não gostam, fazem listas, e acredito que se o aplicativo permitisse eles postariam
cronogramas, metas, diagramas etc. O povo aqui tem foco até pra arrumar mulher. Em 30 minutos em SP eu recebi mais de uma dezena de macthes (quando eu e ele apertamos o coração verde sinalizando interesse mútuo). Um recorde nunca antes visto. Senti-me poderosa, claro. Nossa, eu sou praticamente a rainha-da-cocada-preta em São Paulo e não sabia. O que estou fazendo mesmo no RIo? Ah, lembrei, tendo uma vida.

Voltando ao perfil dos usuários de Tinder... conversei com alguns rapazes, mas um especial me chamou atenção: O homem-censo. Ele muito seguro, muito objetivo, me metralhou de perguntas, praticamente uma versão do Censo do IBGE, uma espécie de POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), neste caso, direcionada ao meu passado, presente e futuro no campo amoros. Eu respondi algumas perguntas de forma polida e vi minha vida passando na minha frente, parecia uma novela (sim, eu sou paciente), rs...mal deu tempo de falar da minha pesquisa.

Resolvi continuar dando corda as indagações e de repente tomei as rédeas da situação, ao invés de continuar naquela bizarrice de censo-afetivo-sexual, resolvi argumentar a forma de abordagem dele. Parecia não estar funcionando aqueles critérios todos...mas ele não enxergava. Ele contou-me que utiliza diversos aplicativos e sites de encontro e atua da mesma forma (Censo), pois está "a procura da mulher certa, aquela que será pra sempre" (palavras dele). Eu parei, olhei, respirei fundo...me fiz uma pergunta: eu conto ou não conto pra ele que princesa encantada não existe? Que as mulheres peidam, arrotam, acordam sem maquiagem? Que não existe pra sempre e que a vida não está numa planilha de excel. Fiquei calada.

Meu Deus! Meio sem acreditar no que via.. estava ali, diante de mim um homem que acreditava em contos de fadas, ele com seu carro branco estava a procura da dona do sapatinho de cristal.

Conclusão do manual prático da mulher solteira independente: não existe nada que não possa te surpreender. E sim, existem homens que acreditam em contos de fadas.

Dica da mulher solteira independente: meninas, fujam deles!

MANUAL PRÁTICO DA MULHER SOLTEIRA INDEPENDENTE: episódio "letreiro luminoso"



Certa vez conversando com amigos homens sobre a questão da idade, diferença das fases entre homens e mulheres, as crises, neuroses, pressões etc... eles me disseram com toda certeza do mundo "Mulher com mais de 35 anos tem um letreiro luminoso dizendo que tá louca pra casar e ter filho". Nessa época eu mal tinha chegado aos 30 anos e fiquei seriamente preocupada se um dia eu teria esse desespero fucking-crazy de sair caçando homem pra casar.

O tempo passa, o tempo voa, e agora na fase pré-quarenta eu tenho uma notícia para dar aos meus amigos: VOCÊS ERRARAM.

Não tiro só por mim, mas por muitas amigas, colegas de trabalho, amigas facebookianas que sim, preferem e escolhem ficar na delas do que aguentar qq macho-que-deixa-cabelo-no-chão-do-banheiro para segurar um status de mulher bem sucedida é mulher casada.

Hellooooo, em que mundo vocês vivem?

E detalhe, o que eu tenho observado é justamente o contrário, homens caminhando para o segundo casamento, com seus pacotinhos (filhos) debaixo do braço a procura na mulher solteira independente para armar o  bote. Sim, os homens querem e precisam casar, e estão ai moças, basta escolher.

Dica da mulher solteira independente: Meninas, cuidado com o dedo podre. Rapazes, pra conquistar a mulher independente precisa de muito mais do que um piru e palavras de amor, se esforcem mais. O letreiro luminoso não está na testa de todas as mulheres, acreditem. Fé, força e coragem tá? Beijo e não me liga.

MANUAL PRÁTICO DA MULHER SOLTEIRA INDEPENDENTE: Episódio “pré-40”


Muitas vezes a gente tem a vida tão corrida que mal dá tempo de perceber o tempo passar. Eu não sei se com vocês acontece dessa maneira, mas um dia chega aquele momento que sinais surgem do nada e te dizem como num grito “ACORDA GAROTA, VOCÊ ESTÁ ENVELHECENDO”.
A primeira vez que ouvi esse berro foi aos 27 anos quando entrei no elevador e olhei para o meu rosto. A bochecha estava sumindo, os olhos estavam mais caídos e percebi marcas, as tais linhas de expressão. Pensei comigo “eu tô ficando velha”. Decidi olhar menos para os espelhos de elevador, até porque agora eu sempre encontro cabelos brancos. Afff.
Outro momento acorda-Alice foi por esses dias. Estava participando de um congresso, após o primeiro dia fui a um jantar que se estendeu para uma festa com banda ao vivo e mulatas globeleza animando público. Lá fui eu exibir meus dotes de dançarina...até porque depois de 3 taças de espumante aprendi que eu consigo falar qualquer idioma e dançar qualquer coisa. De lá combinei de ir a um forró. Minha curiosidade antropológica de participar de um forró em SP foi maior que meu bom senso. Dancei. Curti. Tem forró pé de serra em Sampa, e pasme você, os paulistas dançam!
Cheguei no hotel feliz e realizada... no dia seguinte lá estava eu com o grito no ouvido. Meu corpo doía por inteiro, pernas, pés...queria uma massagem...socorro. Olhei para o espelho do banheiro e meu rosto transmitia um cansaço absurdo. Os pré-40 chegou. O que fazer? Pânico, terror e aflição? Que nada garota, eu vou mandar ver até os pré-50 e esperar o próximo sinal e ver como vai ser. O grito chega e você tem o poder de simplesmente não ouvir.
Recado da mulher solteira independente para as amigas: Aprenda a olhar o lado cheio do copo. Cada idade tem o seu valor, é sério, eu não mentiria pra você. O corpo cansa, a cara cai, mas os meus cabelos quanta diferença... Foque no que você se tornou, no conhecimento adquirido até aquele momento. Lembre das idiotices que você fez e falou décadas atrás e curta o doce sabor do amadurecimento.
Dica do manual prático da mulher solteira independente: Sempre tenha na bolsa 1)dorflex, 2) capsulas de guaraná, 3) batom vermelho e é claro um bom corretivo para as olheiras.
Pé na tábua e siga em frente!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

MANUAL PRÁTICO DA MULHER SOLTEIRA INDEPENDENTE: Episódio "a operadora de celular"


Este post é pra você moço, rapaz, mancebo, pretendente, homem, ogro ou qualquer coisa que o valha...que está querendo seduzir, cortejar, pegar, namorar, ficar, chegar junto a uma mulher contemporânea.
Pois é gente, nessa minha aventura pelo mundo dos solteiros (eu que desde os 16 anos emendo um namoro no outro e lá se vão 20 anos de prática no campo afetivo-sexual) estou incomodada com uma pergunta que me fazem sempre: "Qual é a sua operadora?".
Claro que existe um contexto... papo vai, papo vem...surge a primeira bomba: "Me dá o seu número de celular?" e depois aquela que pra mim é a morte...sobre a operadora de celular.

Meninos, essa pergunta significa muita coisa, significa gente que compra crédito de celular e conta centavos pra te ligar, demonstrando estado de pobreza e escassez, que durante a corte não pode sequer dar o ar de sua graça. Significa que você é um cara mão de vaca, possivelmente vai até te convidar para um chopp ou jantar e não vai pagar a conta, regra número 1 da dança do acasalamento. Significa que é uó ter alguém que quer ficar ao seu lado e está querendo economizar! Socorro.
Dia desses um sujeito do Tinder (olha aí minha pesquisa tomando forma) pede meu celular...porque o protocolo possui o seguinte passo: dar like seguido por dar march, seguido por whatsapp, seguido por facebook, seguido por "qual é a sua operadora"??? No way!
Querido pretendente segue a dica da MULHER SOLTEIRA INDEPENDENTE: existem zilhões de aplicativos que já apontam na sua agenda do seu celular qual é a operadora de cada numerozinho cadastrado lá. Não tem mistério. É muito deselegante responder pra você qual é a minha operadora, eu heim...paga pra ver oras.
Mulheres, quando perguntarem qual é a sua operadora de celular deleta o cara na hora. É presságio de homem mão-de-vaca! Pronto falei, agora podem começar com o apedrejamento.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

MANUAL PRÁTICO DA MULHER SOLTEIRA INDEPENDENTE: Episódio "estou podendo"


Dia desses parei para pensar no quanto as pessoas estão condicionadas ao querer. Fazem listas, escritas ou mentais, dizem ser propósitos ou metas, batalham arduamente para "conquistar" vitórias e sucesso naquilo que se propuseram e pronto, uma vez atingido o alvo, no caso, o resultado, lá estão elas novamente com outros propósitos a serem alcançados. As pessoas sempre querem mais, fato. Desde meu ingresso na vida acadêmica em 1998, eu tinha em mente - de forma clara e assustadoramente objetiva - o que queria e as longas etapas que viriam até atingir meu alvo: terminar a graduação, ingressar no mestrado e por fim terminar o doutorado, pois aquele sim seria o ponto final de uma formação - o último nível a ser conquistado. Pronto, vivi longos 11 anos e meio de dedicação, entremeados de alguns poucos momentos do que dizem ser férias, sempre com prazos apertados para entrega de trabalhos, projetos etc). Era um processo que conscientemente vivia um crescimento pessoal e profissional, tendo percalços e prazeres como tudo na vida. Após o término da tese e o cumprimento de tudo que me cabia, era hora de parar para pensar na tese, veja só, a bendita de novo, me diziam os mais experientes sobre a importância do que saber fazer com ela, os subprodutos...artigos, palestras, congressos, mais etapas a serem cumpridas estavam sendo rascunhadas ali na minha frente.
Até que um dia, após a sensação de alívio e um sentimento enorme de estar a deriva me dei conta que eu não sei o que quero ou o que eu fazer a partir de agora. Diferente do que possam pensar, falta de ambição ou qualquer outro sentimento negativo que abale um profissional, venho em público dizer que as incertezas não são fraquezas, e sim possibilidades.
Estar a deriva me coloca numa posição de liberdade a ponto de poder remar para qualquer lado que quiser, remo na mão, olho no horizonte, as oportunidades chegam, você tem o privilégio de avaliá-las. Negar ou aceitar, escolha porque você está em vantagem. E aí me vejo lendo e pesquisando sobre temas nunca antes imaginado, como um aplicativo de relacionamento e os impactos que possuem na vida das pessoas, ou como esses usuários constroem imagens identitárias traduzindo estilos de vida, performances e gostos, em fotos, como num classificado de jornal, o antigo correio do amor. Eu consigo dar risadas diariamente e isso tem me feito feliz. And so what?
Dica da mulher solteira independente: curta o resultado. Apenas isso. Deleite-se com a chegada do fim de um ciclo e não se sinta pressionada por quem quer que seja a começar outro de forma tão abrupta que faça com que a sua conquista anterior perca brilho. Pare. Usufrua. Brinque. Seja suave consigo mesmo. Entregue-se ao prazer do ócio por um instante. Leia literatura, veja filmes, observe outros comportamentos que nada tenham a ver com o seu tema de pesquisa, ou tenha, mas de forma menos dura. Relaxe e goze. E se alguém te perguntar o que você irá fazer agora, simplesmente diga de forma altiva e ambiciosa: "qualquer coisa, estou livre para ser e viver qualquer projeto que eu queira". Isto sim, é poder, o poder da escolha.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Consumo e eixo compensatório: O caso dos churros



Dilema do Churros

Oi, meu nome é Hilaine e ontem eu comi um churros. Diante da moralidade em torno de vários temas, onde nos culpamos por gastar dinheiro em coisas que consideramos (ou consideram por nós) supérfluas, e por esse exato "problema" diminuimos  nossa culpa  recorrendo ao eixo compensatório eu encontrei um caminho. A ideia é elevar o status do bem "supérfluo" em algo considerado básico (necessário), ou um presente pra si mesmo diante de um esforço descomunal... pois bem...me vi nesta situação em torno de um churros.
A pessoa em questão, no caso, eu... passa o dia correndo de lá pra cá, atende alunos, dá aula, encontra um amigo que precisa do seu suporte, 5 horas de sessão de terapia praticamente...parte da conversa sentados num café onde não vendia água sem gás (me senti uma pobre), e outra parte em pé, uma tentativa (em vão) de encurtar o encontro. Estava eu em pé na rua conversando e eis que vejo ela... brilhando atrás do ombro do meu amigo frustrado e lamurioso: a carrocinha de churros.
No início tentei encurtar a história, mas aquelas palavras me atraiam de uma forma que não consigo definir C-H-U-R-R-O-S. Encontro então um tentativa louca e interna de resistir, penso na lipo e cirurgia plástica que acabei de fazer e, portanto, não era conveniente, comer um churros gorduroso, frito, de rua. Dane-se. Não funcionou. Tentei então tomar frente da conversa e falar, falei muito pra tentar desfocar da carrocinha, funcionou por uns 40 minutos, até que ele recebeu zilhões de ligações e tinha que ir embora, lá estava eu, pronta pra cair em tentação. A filha da puta da moça da carrocinha (sem saber era meu Lúcifer) que só piorou a situação quando numa atitude desleal começa a fritar novos churros. E sabe o que é melhor que churros? Churros recém frito! Ferrou. Já era. Fui lá, comprei e descobri uma maneira de driblar minha culpa: A partir de hoje eu me darei um "presente do dia" todos os dias. A felicidade ao alcance da sua mão diariamente. Ontem me presenteei com churros e hoje resolvi fazer uma esfoliação nos pés, agora tenho pés de moça. Quanto ao "presente do dia" de amanhã...sei lá, "deixa acontecer naturalmente" como ja dizia o pagodeiro.