sábado, 10 de janeiro de 2015

Manual prático da mulher solteira independente: episódio os homens são de marte e as mulheres são de vênus.

Manual prático da mulher solteira independente: episódio os homens são de marte e as mulheres são de vênus.

Um dos maiores problemas da humanidade é a comunicação. Mesmo os altamente comunicativos, como eu (mea culpa), acreditam que dominam a a palavras e sua forma de expressar... uma expertise desenvolvida que por vezes (assumo) investem na escuta. Eles - os comunicativos - questionarão o que digo, claro... mas não estou julgando ou apontando o dedo como se isso fosse um crime... a gente sabe escutar sim, o problema é que fazemos direcionando para algum propósito pré-determinado. Normalmente, a escuta atenta acontece no trabalho, durante uma conquista, no cinema...ou nas aulas que se tem maior interesse etc.

E ai na arte da conquista entra outro comunicativo na jogada - se relacionar com tímidos e quietos é bem mais fácil para os comunicativos, não há dúvidas, mas lidar com o espelho tem as suas vantagens. Interessante ver nele (no outro, seu espelho) como parecemos para o resto do mundo. Uma pitada de felicidade, outra de empolgação, um certo esnobismo e uma grande certeza do que se é, gostar disso, se preencher de si, há lugar para mais alguém? Toc-Toc-Toc, tem alguém em casa?
Comunicativos, muitas vezes , têm as rédeas de sua vida e amam isso. Liberdade e hedonismo no sentindo mais amplo são sua meta, e praticam, das coisas mais prosaicas às mais complexas. As agendas mudam, os programas também, é preciso paciência, fairplay para lidar com tantas mudanças. Recebemos acusações... somos inconstantes, deixamos nos levar pelo brilho, pelo que parece ser mais divertido, lucrativo e extasiante. Somos arrebatados e gostamos disso. Puff! Gargalhadas!

O problema é quando encontramos o espelho... ah, esse controverso espelho, e ai as interpretações de gênero fazem a sua parte. Temos dois dicionários, com exemplos explicativos diferentes, ser mais romântico se transforma em "abstinência" num estalar de dedos. Individualidade passa a ser vista como egoismo ou egocentrismo. Liberdade para um é falta de compromisso e seriedade para o outro.
Diferenças, diferenças, semelhanças, semelhanças...tudo isso no espelho. Olho para ele e fico me perguntando se sou/fui dessa maneira com os tímidos (a culpa me toma). Um rolo compressor que não os escutava, não demonstrava muito interesse sobre suas questões e mais, impunha o que EU achava melhor, porque eu juro que acreditava que era. O que é melhor? Pra quem é melhor? Hellooo!
Preciso frequentar mais Marte, aprender a língua local, me atentar para piadas e fofocas internas, fazer anotações no meu caderno de campo, entender as regras sociais de convivência e morfologia social em que vivem, se organizam, transitam, tal como nos ensinou Malinowski.

Lidar com homens atualmente é lidar com os "nativos", aqueles desconhecidos do tipo exótico que têm muito a nos ensinar, e é preciso atentar para os "imponderáveis da vida cotidiana" antes de se agarrar no nosso poder feminino civilizatório.

Chega de tentar mudar pessoas. O mundo rosa da Barbie é uma ficção meninas, e eu não sei se vocês lembram, mas o Ken não tem piru.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

CURSO CULTURELAB TENDÊNCIAS E CONSUMO JAN/FEV 2015 NO RIO







Começando 2015 com o pé direito: Culturelab Tendências e Consumo em janeiro/fevereiro!
CULTURELAB é um laboratório de pesquisa e análise de tendências e comportamento do consumidor.
Saber o que o consumidor pensa e suas motivações para escolha de produtos e serviços é o sonho de toda empresa. A Antropologia do Consumo e seus métodos de pesquisa aplicados surgem como uma alternativa de aproximação entre esse indivíduo – “o consumidor” e as empresas de um modo geral.
O objetivo central do curso é introduzir e estimular o “olhar antropológico” dos participantes para que reconheçam diferentes formas de expressões socioculturais em seus detalhes e percebam sinais que muitas vezes não são vistos, e assim possam entender a dinâmica de valores e práticas dos diferentes targets e assim possam elaborar estratégias comerciais mais adequadas.  
Hilaine e Carol juntaram seus conhecimentos em pesquisa e antropologia para entender melhor pessoas e relações, trazendo a fundamentação, a prática e um olhar adiante para marcas e empresas. O curso é de curta duração, 12 horas, 4 encontros. Segundas e Quartas de 26 de janeiro a 4 de fevereiro.
As vagas são limitadas.
Mais informações e inscrições pelo email contato@studio512.com.br

Preço especial para pagamento à vista e estudantes. Escreve para o email indicado e se informa!

Pra quem já fez o nosso curso  espalhem a novidade e aguardem porque estaremos com novidade em breve! 2015 promete!

Beijos,

Hilaine Yaccoub & Carol Althaller
CULTURELAB TEAM ©





segunda-feira, 5 de janeiro de 2015


Fazendo uma pequena pesquisa na rede eis que encontro o projeto Vídeo Nas Aldeias, e através deste projeto revelam um ritual de iniciação sexual incrível. Quem são os caçadores e quem são os coletores? Abram os olhos e relativizem. As índias já estão dando conta há anos.
O SEXO DAS ÍNDIAS - As hiper mulheres
"Este trecho faz parte do documentário As Hiper Mulheres (2013), realizado pelo pessoal do Vídeo nas Aldeias. Aqui, mulheres maduras e jovens da tribo Kuikuro (norte) do Xingu invadem as cabanas dos homens, forçam-nos a praticar o sexo; e se os homens fogem, saem em sua captura, provocando-os, xingando-os, dispostas mesmo a feri-los. O comportamento dos nativos, suas canções e provocações (índias não gostam de pau pequeno!) são de uma doçura ímpar. Dê aí suas gargalhadas."
Fonte: monomito.org/2014/04/13/sexo-indias/

Para acessar o filme: http://vimeo.com/91615057


domingo, 4 de janeiro de 2015

Conheça as meninas que estão ditando moda nas comunidades e fora delas As ‘it-girls’ das periferias agitam as redes sociais e lançam tendências

Louvável a capa da revista de domingo do Globo, pena que demoraram tanto para acordar pra vida. Essa onda já existe há muito tempo, desde os anos 90 nas faculdades de artes, ciencias sociais, comunicaçao social. O problema é o que estigma era maior que tudo. Há poréns, a Retalhos Cariocas da Silvinha Oliveira já atua nessa vibe há muito tempo, e ainda por cima com uma aprofundamento ideologico incrivel, compartilhamento de conhecimento do que aprendeu, conexao universidade e favela. Claro que ela é um capítulo da minha tese, o que muito me honra.
No entanto, não sou dessas que vê nuvem preta por todos os lados, ainda bem que em algum momento houve essa aproximaçao da cidade, da cultura, das diferenças e espero mesmo que isso se espalhe, e que as segmentações de mercado quadradinhas possam olhar através da janela, colocar o pé na rua e ver esse tipo de gente, a grande massa do nosso país. Mas ainda implico com o termo "comunidade"... palavra cheia de vazio simbólico, politicamente correto que nao diz nada e diz tudo ao mesmo tempo.
Um viva para a Globo e um viva maior para a Retalhos Cariocas que está a frente do seu tempo desde sempre.
Veja a matéria:
Conheça as meninas que estão ditando moda nas comunidades e fora delas: As ‘it-girls’ das periferias agitam as redes sociais e lançam tendências
RIO - O batom azul da estudante Isadora Machado, de 17 anos, rapidamente se transformou no centro das atenções da sessão de fotos que ilustram esta reportagem, alguns dias atrás, na Lapa.
— Olha essa cor! Essa mulher é muito diva — louva Annapaula Bloch, de 18 anos, do blog “Sou dessas’’.
Naquele dia, Annapaula e Isadora estavam se encontrando pessoalmente pela primeira vez. Até então, as duas eram amigas apenas nos “limites’’ das redes sociais.
— Adicionei a Isadora no Facebook quando vi uma foto dela justamente com esse batom azul! Ela é a verdadeira negra — diz Annapaula.
— Esse batom é uma mistura de gloss transparente com sombra azul 3D — revela Isadora, em tom de confidência.
A escritora Ana Paula Lisboa, de 26 anos, chega na roda elogiando Annapaula, que conhece há tempos.
— Tá comportada hoje, hein! Fazendo o estilo nova Valesca... Acho a Valesca diva. É uma das poucas famosas que sigo no Instagram.
Annapaula concorda com sua xará e aproveita para criticar a cantora Anitta, “pseudo rival’’ de Valesca:
— Ela copia até o dedinho do pé da Beyoncé e, numa entrevista no programa “De frente com Gabi”, disse que não. Outro dia, no “Altas Horas”, falou que mulher tem que se valorizar, mas, uma semana depois, no “Amor & sexo”, ficou dando mole para o homem das outras. Muito contraditória essa moça! — dispara.
A estudante Ana Carolina Santos, de 17 anos, e a hostess Keyla Bergamazi, de 24 anos, são as últimas a se juntarem ao grupo no ponto de encontro marcado para um bate-papo informal. Nunca tinham se visto (sequer virtualmente), mas, em cinco minutos, já pareciam melhores amigas.
— Amei a sua bolsa! Me empresa para eu fazer a foto? — pergunta Keyla.
— Claro! Comprei por R$ 44 num camelô no Centro — responde Ana Carolina, dando a ficha completa do saquinho vermelho com franjas e estampa étnica.
Cada uma na sua, mas com muita coisa em comum, as cinco fazem parte de um novo e forte movimento que cada vez mais une códigos da cidade partida. São as “it-girls” das comunidades: meninas que moram ou frequentam favelas ou bairros da periferia do Rio, lançam tendências de moda e comportamento, são seguidas nas redes sociais e imitadas em grande escala fora delas.
As novas meninas do Rio chegaram para quebrar estereótipos, observa a publicitária Taciana Abreu, que ajudou a fundar a primeira agência numa favela carioca (no Santa Marta, em 2012):
— Elas estão criando um novo padrão de beleza, assumindo seus cabelos, sua cor, suas raízes, criando sua própria moda. Elas pegam o melhor das referências externas, já que a informação está toda disponível na internet, e remixam com as referências de raiz. Da raiz negra, nordestina, de periferia. E, aí sim, criam uma nova estética, que traz consigo o orgulho do território — analisa a publicitária, integrante do Yunus Negócios Sociais Brasil. — Dessa forma, elas estão abrindo caminho para outros jovens e se transformando na nova referência de sucesso na favela.
Annapaula Bloch e suas impecáveis tranças são famosas no Salgueiro, comunidade na Zona Norte do Rio onde a fashionista nasceu e se criou. Há um ano, através de um projeto da Agência de Redes para Juventude, ela criou a revista “Sou dessas”. No final de novembro, a publicação foi lançada em versão online.
— Sempre amei moda, fui bem-apresentada, simpática e do tipo que gosta de saber da vida dos outros — ela se descreve. — Como eu só encontrava revistas feitas para as patricinhas da Zona Sul, com editoriais de moda feitos com roupas para as muito magras, quis fazer uma revista com dicas de moda e maquiagem, comportamento e um pouquinho de fofoca para as meninas da favela. Agora viramos blog porque estamos antenadas com o mundo digital, até a “Capricho” está cada vez mais online.
Annapaula faz compras nas feirinhas da praça do Rio Comprido e do Clube Maxwell, em Vila Isabel (“São os melhores preços e os melhores produtos”, diz). Brinco de pérola, jardineira jeans e short-saia estão em alta, ela sentencia.
— Quero ser estilista, jornalista, atriz e exemplo para muitas jovens da minha favela — ressalta.
Para o escritor e diretor de teatro Marcus Vinicius Faustini, criador da metodologia da Agência, Annapaula já é exemplo para muitas jovens — e não só do Salgueiro.
— Ela faz parte de uma nova geração que vem demonstrando o quanto a favela pensa a cidade, o mundo. Sem culpa, ela vai inventando uma maneira de operar os signos que surgem diante dela. Esse movimento é extremamente político porque coloca a juventude da favela no posto de criadora de tendência — afirma Faustini.
Amiga de Annapaula, Ana Carolina Santos foi promovida a correspondente do blog “Sou dessas’’ na Mangueira (ela mora em Benfica, torce pela Portela, mas tem muitos amigos no morro e está sempre circulando por lá).
— Minha missão é caçar as tendências que nascem nas ruas — diz ela. — Mas também pesquiso na internet. Minha última matéria foi sobre cabelo afro, tranças e black power coloridos, moda lançada pelas meninas do Afro Punk no Brooklyn, em Nova York. As cores mais usadas são azul, rosa e lilás. É o último grito!
O principal campo de pesquisas de Ana Carolina, no entanto, é o Baile Charme, no Viaduto de Madureira.
— Lá no Viaduto você tem que ser bonita. Os charmeiros são muito estilosos, todo mundo é assim como nós — conta Ana Carolina.
Ana Carolina é (muito) fã de Rihanna, enquanto Annapaula é (muito) fã de Beyoncé. É mais ou menos como se uma fosse Flamengo, e a outra, Fluminense.
Moradora da Cidade Alta e comentarista de moda do “Esquenta!”, da TV Globo, Luane Dias, de 20 anos, compartilha o fascínio pelas divas internacionais:
— Querendo ou não, todas querem se parecer com as mais tops, que são a Rihanna e a Beyoncé. Gosto das duas. Eu mesma, quando tenho uma festa, fico pesquisando looks no Instagram — explica. — Shortinho com top ainda é o uniforme mais popular na favela, mas, aos poucos, está crescendo a turma que opta por uma calça larga, um pano na cabeça... Ou seja, um estilo mais urbano.
Professora do Departamento de Moda e Design do Senac Rio e de Comportamento do Consumidor na Pós-Graduação em Marketing de Moda da ESPM, Elis Vasconcelos observa que, na cidade cerzida, as novas meninas do Rio misturam a moda desfilada pelas patricinhas da Zona Sul com a enxurrada de referências estrangeiras que chega a elas pela internet:
— É antropofagia cultural. Nos últimos anos, com a ascensão da classe C, essas meninas passaram a poder consumir tudo o que acham interessante e, aos poucos, criaram um estilo único e totalmente novo.
Editor do site RIOetc, Tiago Petrik completa:
— As “it-girls” das comunidades não fazem Ctrl C, Ctrl V. Elas têm muito mérito na criação desse perfil, elas reinterpretam para a realidade local e, a partir do que apresentam, as outras meninas se inspiram.
Quando Ana Carolina passa, as “novinhas’’ da vizinhança ficam tão curiosas para saber como ela clareou as pontas dos fios quanto para saber onde ela comprou o vestido da vez:
— Ninguém acredita quando conto que os meus cabelos são queimados do sol! Já as minhas roupas, tenho comprado num brechó beneficente na Lapa. Acho várias peças incríveis.
Criada no Engenho Novo, Ana Paula Lisboa se mudou para a Maré há dois anos e acabou se casando com um “mareense”, o cineasta Cadu Barcellos — um dos diretores de “5 X Favela” e um legítimo “it-boy”. Ela anda causando na comunidade com seus turbantes. A escritora é a principal garota-propaganda da Grife Páprica: dia sim, dia não, ela desfila com uma amarração nova na cabeça.
— O objetivo da Páprica é democratizar o turbante. Mostrar que ninguém precisa ser princesa ou rainha para usá-lo. Dá para botar turbante para ir à escola, à padaria e à noitada, claro, porque é lindo — explica Ana Paula, sócia da grife com a amiga Michele Machado.
Quando não está de turbante, Ana Paula ostenta uma bela cabeleira black power... Loura. Ela exibe com orgulho os cachos cultivados há quatro anos, quando parou de fazer alisamento, raspou tudo e deixou os fios crescerem naturalmente. Coordenadora de metodologia da Agência de Redes para Juventude, é fã do visual da atriz Lupita Nyong’o, a estrela de “12 anos de escravidão”, que ano passado foi eleita a mulher mais bonita do mundo pela revista “People”. Solange Knowles, a irmã fashionista de Beyoncé, é outra musa inspiradora.
— É natural termos referências. Mas digo referências. O Brasil imita desde a sua descoberta. Nós agimos de outra forma: olhamos, admiramos e decidimos fazer do nosso jeito — diz Ana Paula, que está terminando a faculdade de Letras, na Estácio. — Quando crescer quero ser bonita, rica, com mestrado e continuar jovem.
Moradora da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, Isadora Machado tem orgulho de nunca ter feito chapinha.
— Sempre estudei em colégio particular, minhas colegas eram louras dos olhos azuis. As poucas negras da escola tinham o cabelo alisado. Riam de mim — lembra, sem um pingo de ressentimento. — Hoje, todas querem me copiar. Falam que o meu cabelo é lindo.
Filha de uma dona de casa e de um mecânico, está cursando o último ano do Ensino Médio. Ela é bolsista no Centro Educacional da Lagoa (CEL) e sonha um dia ser cantora. Volta e meia, posta vídeos no Facebook interpretando clássicos de cantores como Djavan e Elis Regina. Isadora, ou Isis Mac (seu nome artístico), tem centenas de seguidores nas redes sociais.
— Eu também penso em trabalhar com moda, gosto muito. Sempre me virei. Como eu tenho muita roupa, invisto nos acessórios — afirma.
O colorido estilo dessas e de outras meninas inspirou Carol Rabello a criar, em maio de 2014, o site de moda de rua Zona Norte Etc, uma brincadeira com o RIOetc.
— A cultura negra está voltando fortíssima, aliada ao colorido do samba e do funk cariocas — observa Carol, de 31 anos, nascida e crescida no Méier. — A moda está pulsando em Madureira, na Tijuca, no Méier. As meninas estão buscando o que há de mais bonito em si. Talvez por estarem mais longe da praia, mostram a barriguinha e as celulites sem as neuras das patricinhas da Zona Sul. A autoestima das meninas da Zona Norte é muito forte.
As “it-girls” das comunidades, é bom deixar claro, garantem não ter qualquer preconceito com a Zona Sul e seus modismos. Annapaula Bloch e Ana Carolina Santos, por exemplo, vivem na Praia de Ipanema, ou “Ipanema Beach”, como preferem chamar. Essas novas e influentes meninas, aliás, circulam por toda a cidade.
— Tradicionalmente, o Rio tem essa coisa de venerar a garota de Ipanema. Mas hoje há outras garotas interessantes e que não se definem por um só bairro. Elas circulam por Ipanema com a mesma desenvoltura que sobem o Vidigal, vão à Glória e também frequentam o baile do Viaduto de Madureira — observa Caio Braz, estilista e apresentador do “GNT Fashion”.
Keyla Bergamazi pertence à categoria indefinível. Nascida em Vila Isabel, na Zona Norte, a morena de tranças coloridas é, como se diz por aí, uma cidadã do mundo. Depois de oito meses morando na Inglaterra, no ano passado ela voltou ao Rio e decidiu dividir um apartamento com um amigo, no Morro do Cantagalo. Na sequência, se matriculou num curso de moda na Casa Geração, no Vidigal.
— A (cantora) Mariana de Moraes queria usar um vestido meu num show, mas o figurista dela achou o modelo ousado demais. A bunda ficava toda de fora, mas tinha hot pants por baixo... Enfim, o Rio de Janeiro ainda é muito hipócrita em termos de moda — reclama Keyla.
Atualmente, ela trabalha como hostess no recém-inaugurado Bar Sobe, no Horto, e está desenvolvendo uma marca com duas amigas.
— Estamos criando roupas mutáveis. Blusa que pode virar vestido e vice-e-versa para as mulheres que emendam uma reunião num jantar, um jantar numa festa, e não têm tempo de passar em casa para se trocar — explica Keyla, que no dia da sessão de fotos “divou’’ com uma calça pantalona dourada. — Nossa, mas estou tão básica...

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/…/conheca-as-meninas-que-estao-dita…
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As ‘it-girls’ das periferias agitam as redes sociais e lançam tendências
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  • Hilaine Yaccoub

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Notas etnográficas.


Vou a padaria comprar o guaravita nosso de cada dia. Na entrada encontra-se uma senhora idosa, lá pelos seus 70 anos, negra, cabelos grisalhos, roupa suada, carregando duas sacolas visivelmente pesadas lotadas de latinhas amassadas e garrafas pet contendo água congelada.
Ela falava meio que resmungando, coisas sem sentido, mas tentava comprar algo. Os funcionários da padaria pouco ligavam, ela era um incômodo. A catadora toda hora segurava suas bolsas, parecia um tesouro, e de fato deveria ser.
A funcionária do caixa falava alto e de forma brusca com ela... que tentava comprar um simples refrigerante..."eu já entendi que é fanta uva, mas me dá o dinheiro, custa 2,10. Vc quer comprar sem dinheiro?" disse em tom ríspido.
Uma moça bem intencionada tenta ajudar sendo solidária, compra a fanta uva e coloca num copo para a catadora que recebe e agradece, a loirinha piriquita de Icaraí presume que a catadora precisava de comida, e pergunta "A senhora quer comer algo? Um hamburguer?"
Ela mais que depressa responde "Eu não quero não, eu não como carne, faz mal."
Ri por dentro. Sai da padaria achando incrível o que acabava de ter presenciado, uma catadora de latinhas vegetariana, é ou não é piada de salão? Adoro.

Manual prático da mulher solteira independente: episódio "saindo do casulo"


E aí vc aceita o convite de um amigo para tomar drinks e falar bobagem numa noite de sábado. Vc cruza a ponte Rio-Niterói e vai confiante e feliz. O prefeitinho do Rio não gosta de gente que chega na cidade dele de carro, fato. Precisei de coragem pra sair da zona de conforto, afinal de contas 4 anos (e alguns meses) fazendo doutorado (sem bolsa) te deixa meio fora do ar, sem sex appeal, um bagaço...Trabalho, etnografia, casa, trabalho, favela, trabalho, casa, casa da favela. Corre Lola corre. Vomita 15,20, 25 páginas por dia. Escreve Lola escreve. O amigo te chama para alguns lugares, uns vc conhece porque tempos atrás vc foi com ex-namorados quando se permitia sair do script. Pensa, pensa, pensa. Ele disse "Vou te levar num lugar que adoro. Conhece?" Eu: "Não". "Tem aquele outro, conhece?" Eu de novo: "Não". "Ah e mas o ... vc já ouviu falar né? Menti já com vergonha: "ah esse sim, mas nunca fui". Meu Deus virei uma velha, pensei. Música boa. Comida ótima. Ele fala mais do que eu. Inédito. Ele bebe drinks eu bebo água. Lei Seca não deixa e ela é mais dura que minha mãe. Vamos respeitar para o bem geral e pessoal, não querer voltar a pé é mais efetivo que conselho dos pais, ponto pro governo e a ditadura da abstinência. Até que vc se dá conta que apesar dos drinks que vc não bebeu, do papo divertido que me fez ficar quieta, da música boa... Existem várias televisões por todas as paredes, os homens deixam de fazer contato visual, olham fixamente para a tela. Rostos iluminados pelo tom branco de LED. Eu estava de costas... E o que mais importava naquele momento? Homens lutando no UFC. As mulheres ao lado fingem interesse, diferente do futebol, é rapidinho, alguém cai no chão do tatame e aí o tema do papo muda. Quem ganhou quem, vocabulário novo para noitada contemporânea: octógono, finalizações, golpes, etc. Faz parte da performance saber e revelar certos detalhes dos lutadores, lutas memoráveis...novo hobby? Sei la. Deixa quieto.
Conselho da mulher solteira independente: ou aprende tudo sobre ufc, vá aos lugares de taxi, porque 3 caipirinhas te deixam feliz com qq coisa, inclusive homens se atracando, ou faça um levantamento dos bares que não possuem tv e depois compartilha com as amigas e faça uma contribuição significativa no mercado sexual carioca. Mulher deixou de ser a atração principal. Fato.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Manifesto sobre a esquerda-caviar

 Quando alguém te chama assim, esta pessoa está amedrontada, mas também revoltada pelo sentimento de uma suposta traição de classe



"Não, eu não vim aqui defender as ovas de peixes. Isso seria tão ridículo como insultuoso. Mas sim, eu vim aqui reivindicar a abundância, a distribuição de renda e o direito ao prazer.
O termo “esquerda caviar”, ao tentar associar a esquerda ao voto de pobreza, não é apenas intelectualmente falho, como também é moralmente desonesto. A expressão procura vender a ideia de que a esquerda deveria ser paupérrima, uma vez que defende um regime igualmente paupérrimo. Dupla mentira.
Para quem orquestra essa ideia, o objetivo é requentar velhas mitologias que procuram espalhar o medo, conter a identificação com o socialismo e deslegitimar seus integrantes por meio da acusação de um comportamento contraditório. Quando alguém te chama de esquerda-caviar, esta pessoa está amedrontada, mas também revoltada pelo sentimento de uma suposta traição de classe.
Para começar, eu gostaria de retomar uma frase citei no passado, a qual causou alvoroço entre alguns setores da direta: "a pobreza é uma invenção do capitalismo". Acrescentei, ironicamente, que, se essa afirmação é válida, faz todo o sentido ter uma direita-coxinha e uma esquerda-caviar. Não é de admirar que, após esse tipo de declaração, além do cliché de me mandar para Cuba, tive que enfrentar uma verdadeira caça às bruxas, com direito a telefonemas em meu local trabalho, caixa de e-mail lotada de insultos, vida pessoal vasculhada, fotos expostas, ameaça de estupro e o sincero desejo de que eu morresse – pobre e podre – na Coréia do Norte. Foi aí que entendi que não se toca em pontos sensíveis impunemente...
Ao associar a pobreza ao capitalismo, eu não apenas questionava o monopólio do deleiteque a direita usa como trunfo simbólico para vender o sonho da distinção (a cenourinha inalcançável que se coloca lá na frente na corrida de classes) – , como também lembrava que esse sonho, inescapavelmente, apenas se concretizaria entre muitos poucos. Afinal, a pobreza – para qual toda a esquerda deveria sacramentar seus votos –, é uma condição necessária da desigualdade estrutural do capitalismo global: a miséria de muitos sustenta a riqueza de poucos.
Teria sido interessante, àquela altura, ter repassado a lição que aprendemos na oitava série: a de que o bem-estar dos países ricos foi construído sobre espoliação violenta – física e psicologicamente – de continentes inteiros, de povos nativos que desconheciam a miséria e que se mantinham por meio de regimes autossustentáveis e autorregulados. Mesmo com o fim do colonialismo, as formas de dependência econômica e cultural continuaram agindo para manter um aparato de intervenção sobre a pobreza que, em última instância, visa o seu controle disciplinar e a sua manutenção. Infelizmente, não há nenhuma previsão de que o mundo esteja mudando positivamente neste sentido. Ao que tudo indica, estamos adentrando em um dos piores cenários já produzidos pelo capitalismo global.
O resultado desse sistema que se regenera e se renova e é o aumento da produção da riqueza e a pobreza concomitantemente. O mundo nunca foi “tão rico” e desigual. Segundo o último relatório da Credit Suisse, nos últimos dez anos, a riqueza global dobrou (USD 263 trilhões). O problema é que a desigualdade também é recorde: 1% da população mundial detém praticamente 50% dessa riqueza. Essa fotografia que vai ao encontro do badalado relatório da Oxfam de 2013, que constatou que 85 famílias detêm a mesma renda que 3,5 bilhões de pessoas, isto é, a metade da população mundial.
Temos, hoje, evidências poderosas de que a desigualdade é extrema e crescente. O modelo vigente é duplamente falho, seja porque é insustentável e destrói os recursos naturais do planeta, seja porque é incapaz de lidar com a miséria que ele mesmo produziu. Mas há quem prefira viver na fantasia dessa riqueza virtual. Ao contrário do argumento liberal – de que a riqueza produzida gera mais riqueza em forma de crescimento econômico, trabalho e oportunidades – o capital não tem retornado ao mercado, mas tem se concentrado nos cofres privados de poucas famílias, o que nos leva a uma forma de capitalismo patrimonial, como mostra o economista Thomas Piketty.
Em vez de promover uma apologia à pobreza, a esquerda reivindica a distribuição de riqueza e o direito a abundância, que é gerada tanto pelo trabalho coletivo tanto pela própria natureza.
O imaginário da esquerda “franciscana” é totalmente equivocado porque vai de encontro ao o próprio princípio da luta de classes: de que é preciso encontrar um equilíbrio entre os poucos que têm muito e os muitos que têm pouco. O direito ao prazer deve ser uma bandeira central no socialismo também porque isso vai contra a cultura cristã ocidental que valoriza o sofrimento, a punição e a culpa, resultando na subordinação do mundo material ao imaterial. A luta é pela possibilidade de corpos mais livres, por experiências sensoriais diversas e por menos biopoder. O problema, portanto, não é – nem deve ser o desfrute da vida, dos sabores, dos cheiros, das texturas, dos lugares. O problema é justamente a privatização dos prazeres.
Para alguns, o direito ao deleite tem sido a bandeira do lulismo, que se caracteriza pela a inclusão dos setores populares na sociedade de consumo. Para mim, trata-se de coisas diferentes. Esse modelo de consumo desenfreado que se baseia na acumulação de bens é insustentável. Eu me alio aos movimentos de compartilhamento e aos teóricos do decrescimento econômico, pois acredito que seja possível perseguir de estilos de vida mais humanos e recíprocos em economias de dádivas, que possam culminar em plenitude física e material.
Dito tudo isso, por fim, parece-me que diante de um mundo em que 85 famílias concentram a metade de renda global, preocupar-se com a marca do computador de Leonardo Sakamoto ou com o restaurante que Gregório Duvivier frequenta é um ato não apenas de mesquinharia, mas também de covardia intelectual. Afinal, é preciso muita coragem para imaginar e lutar por um mundo fora de nossa casinha e zona de conforto. Grandeza e ousadia epistêmicas são qualidades necessárias para enfrentar o monstro gigante que detém uma centena de trilhões de dólares."

por Profa Dra Rosana Pinheiro Machado (antropóloga)

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/manifesto-sobre-a-esquerda-caviar-689.html?utm_content=buffer0d272&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer