sábado, 20 de setembro de 2014

Tedx Inatel




Participar de um Tedx é indescritível. Quando termina dá vontade de contar mais histórias. Tratei em 18 minutos a experiência que vivi como antropologa morando em um bairro popular na região metropolitana do RJ com a finalidade de estudar os "gatos" de energia elétrica. Um projeto desenvolvido por uma concessionaria que comprou minha ideia. Uma aventura antropológica inigualável. 8 meses de imersão, participante total na vida cotidiana das camadas populares emergentes. Grandes descobertas. 




Antropologia do Consumo na Empresa: bens e serviços nas relações sociotécnicas.
Agradeço publicamente ao meu ex-diretor Carlos Oliveira que acreditou no projeto e a minha orientadora Prof Dra Laura Graziela Gomes por ter aberto os caminhos e apresentado um universo para além dos estudos tradicionais da antropologia. 
Vamos caminhando e até o próximo Tedtalk! 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CULTURELAB EM OUTUBRO NO RIO: TENDÊNCIAS E CONSUMO



CULTURELAB é um laboratório de pesquisa e análise de tendências e comportamento do consumidor.

Saber o que o consumidor pensa e suas motivações para escolha de produtos e serviços é o sonho de toda empresa. A Antropologia do Consumo e seus métodos de pesquisa aplicados surgem como uma alternativa de aproximação entre esse indivíduo – “o consumidor” e as empresas de um modo
geral.

O objetivo central do curso é introduzir e estimular o “olhar antropológico” dos participantes para que reconheçam diferentes formas de expressões socioculturais em seus detalhes e percebam sinais que muitas vezes não são vistos, e assim possam entender a dinâmica de valores e práticas dos diferentes targets e assim possam elaborar estratégias comerciais mais adequadas.

Hilaine e Carol juntaram seus conhecimentos em pesquisa e antropologia para entender melhor pessoas e relações, trazendo a fundamentação, a prática e um olhar adiante para marcas e empresas. O curso é de curta duração, 12 horas, 4 encontros.

As vagas são limitadas. Mais informações pelo email contato@studio512.com.br
 

Pra quem já fez o nosso curso  espalhem a novidade e aguardem porque estaremos com novidade em breve! Pra quem ainda não fez... é hora de correr e garantir o seu lugar, vem com a gente!

Beijos,

Hilaine Yaccoub & Carol Althaller
21 998716078           21 9885 0202            
CULTURELAB TEAM ©

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Workshop em Inteligência de Marketing - UFRJ (gratuito)






Esse mês estarei palestrando no WORSHOP EM INTELIGÊNCIA DE MARKETING.

Este ano o workshop abordará a temática da Inovação, Design Thinking, NeurociênciaConsumo buscando demonstrar o uso efetivo da Inteligência de Marketing aplicado a uma gestão competitiva e atenta as transformações sociais que estão impulsionando as organizações.
A formação de profissionais capazes de atuar como agentes de transformação no desenvolvimento de práticas administrativas inovadoras e sustentáveis tem orientado as ações da FACC/UFRJ na realização de suas atividades.
O VI Workshop de Inteligência de Marketing, tem o objetivo de promover debate entre atores diversos da sociedade sobre conhecimentos relacionados às melhores práticas e aos processos inovadores no contexto do Marketing, associando-o à prática de gestão integrada. Propiciando uma aproximação de profissionais de experiência renomada, aos alunos de graduação e pós-graduação.
O evento será realizado nos dias 16 e 17 de Setembro de 2014, das 18h30min às 21h30min, no Auditório Pedro Calmon, localizado no Palácio Universitário - Av. Pasteur, 250 – Praia Vermelha, Rio de janeiro.
Participe! A sua presença engrandecerá o evento e contribuirá para o alcance do objetivo proposto.
LINK: http://www.profcister.com.br/6workshopmarketing/index.php?secao=evento#


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Dica imperdível

Link para inscrições é: O link é esse: http://bit.ly/consumocasbah


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Torcedor se anima para a Copa na última hora e movimenta comércio no Rio

Na Saara, lojistas chegaram a triplicar o faturamento e, em supermercados, aumento nas vendas surpreendeu

por


 RIO - Em uma Copa marcada pelo dilema entre torcer pela seleção ou protestar contra os gastos públicos para a realização do evento, o carioca resolveu se empolgar — e consumir — na última hora, pouco antes de a bola rolar para Brasil e Croácia. Essa foi a percepção de lojistas e associações comerciais ouvidos pelo GLOBO, que começaram o ano pessimistas, mas já calculam um aumento de até 15% no volume médio de vendas em relação aos dias normais, só na semana da estreia.

Segundo a maioria dos comerciantes, a maré de consumo começou ainda na semana passada, com a aproximação da abertura do Mundial. Foi o caso do Atacadão da Biju, na Saara, principal centro de comércio popular do Rio, que vem apostando nos produtos relacionados à Copa, mas só viu o resultado mais significativo do investimento a partir do dia 30 de maio. Na última semana, segundo a gerente Luana Sanches Cardoso, o faturamento mais do que triplicou em relação a dias normais: de R$ 7 mil para R$ 25 mil por dia.

— Investimos muito. Nosso patrão já está viajando para comprar mais produtos — conta Luana.
Parte do sucesso da loja se deve à propaganda que, em ano de Copa no Brasil e muitos turistas nas ruas, apostou em uma estratégia diferenciada: um locutor bilíngue. Em uma das esquinas mais movimentadas do centro comercial, Nei Lopes capricha no inglês: “Don’t waste your shoes! Don’t waste your shoes!”, um chamado para que o consumidor “não gaste mais seus sapatos” e resolva comprar ali mesmo. Nei arrisca também o espanhol, e afirma que já “arranhava” as duas línguas há um tempo e resolveu aproveitar para atrair os estrangeiros (e até brasileiros).

— É a necessidade. Mesmo que não seja perfeito, está valendo — afirma ele.



O clima de festa incentivado por animadores como Nei, aliás, deve ser o principal aliado para que o comércio continue a vender. Segundo Enio Bittencourt, presidente da Saara e no ramo desde a Copa de 1974, a expectativa para os dias deste Mundial já estava baixa, mas, na última semana, viu um crescimento de 15% no volume de vendas, ainda aquém das projeções iniciais.

— Houve uma reação. Mais ou menos 15% (de aumento), tanto de público como de vendas. Esse ano, foi tudo muito em cima da hora. De todas as Copas, essa tem sido a mais fraca — diz Enio, que estima que, nos outros torneios, o comércio viu um aumento, já no início, de 25% a 30% no volume de vendas.
Ainda assim, a Saara espera um aumento de mais 10% no volume de vendas até o fim da competição, resultado que depende da atuação da seleção ao longo do evento.

— A gente já havia traçado esse cenário sobre o comércio por causa de dois fatores: um número muito expressivo de turistas na cidade e outro que não sabíamos quando ia acontecer era o brasileiro entrar no clima da Copa. Mas bastou a bola rolar para isso acontecer, todo mundo na rua animado e querendo virar a página dessa polêmica em torno da Copa. Não adianta, o brasileiro ama futebol, as manifestações estão esvaziadas e, a seleção indo bem, esse movimento só vai aumentar. Apesar de todos os feriados, o comércio do Rio vai fechar este mês com resultado positivo — diz Christian Travassos, gerente de economia da Fecomércio-RJ.

Na capital paulista, sede do primeiro jogo da Copa, não foi difrerente, disse Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo. Segundo ele as vendas que estavam fracas deram uma animada a partir do começo de junho.
— Nos últimos dias, aumentou bastante, mas quem acompanhou as Copas anteriores novata um movimento maior com muito mais antecedência. Se o Brasil continuar indo bem, as vendas vão aumentar mais. Os produtos da Copa porém, pesam pouco, porque são de baixo valor e dificilmente vão compensar as perdas grandes com as paralisações de vendas nos dias de jogos do Brasil.

RESULTADOS PODEM INFLUENCIAR GASTOS

Solimeo explica que os produtos realmente necessários, as pessoas acabam comprando em outros dias, mas as chamadas vendas por impulso (roupas, calçados, livros) acabam perdidas de vez. Quanto ao fluxo de turistas, ele pondera que em São Paulo o forte é o turismo de negócio que está praticamente parado e será, no máximo, compensado pelo turismo da Copa.

Hilaine Yaccoub, antropóloga e professora de Comportamento do Consumo da ESPM também não se surpreendeu com essa mudança no ânimo das pessoas.
— A gente vem de uma época de muito desânimo, muita cobrança por todas aquelas questões dos protestos. Mas quando chega perto do evento em si nosso patriotismo fala mais alto e as pessoas saem correndo para comprar na última hora. A gente sabe que tem muita coisa errada, mas quando a seleção entra em campo é o país que está ali, é a pátria de chuteiras mesmo. Não tem ninguém que desconstrua isso, está no nosso DNA — diz.

A professora diz também que o brasileiro gosta de resultado e, se a seleção for bem, as pessoas vão gastar mais. Se depender da dona de casa Denize Luiz Sequeira, Neymar e companhia precisam mostrar mais serviço para fazer com que ela continue a gastar. De brinco verde e amarelo e em busca de uma camisa da seleção para o neto em uma das lojas do centro popular, ela conta que já gastou cerca de R$ 100 em decoração, mas só começou a comprar há dois dias.
— Nas outras, estava mais animada — conta dona Denize, aproveitando para cornetar o técnico Felipão: — O Fred pode até ser muito bom, mas só no Fluminense.

SUPERMERCADOS VEEM ALTA DE 9% NAS VENDAS

Além da corrida para comprar bandeirinhas, cornetas e perucas nas cores da bandeira nacional, o torcedor brasileiro também foi aos supermercados para comprar, no último minuto, petiscos e bebidas para assistir ao jogo pela TV. O movimento pegou os supermercados de surpresa, segundo a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj).

— Segundo dados preliminares, houve crescimento entre 8% e 9% em relação ao volume de vendas em dias normais. Surpreendeu. Esperávamos alta de 4% a 5% — conta Ailton Fornari, presidente da Asserj.

Para Fornari, no entanto, o desempenho do segmento está melhor do que o registrado em outras Copas, principalmente por causa da quantidade de turistas na cidade, já que a Copa é no Brasil.
O taxista Julio Gomes da Silva foi um dos responsáveis por engordar o faturamento dos supermercados. Pouco antes da estreia do Brasil nesta quinta-feira, ele resolveu fazer as compras em um pequeno mercado na Vila da Penha, mas desistiu: segundo ele, as filas estavam insuportáveis. A solução foi pedir à esposa, que trabalha em um Prezunic, levar pão, refrigerante, suco e outros itens para a festa. No total, ele calcula ter gasto R$ 120 só com o jogo de estreia.

A vitória, no entanto, pode fazer com que ele resolva abrir a carteira:

— O pessoal está se animando em cima da hora. Talvez no próximo jogo eu faça um churrasco.
Bares e restaurantes também já estão lucrando com a animação, mas, enquanto os próximos jogos da seleção não chegam, alguns preferem continuar contidos. É o caso de Sérgio Araújo, um dos donos do bar Praia de Nazaré, bem próximo ao Alzirão, tradicional ponto de encontro da torcida carioca. Preocupado com o clima político e a possibilidade de manifestações semelhantes às que marcaram a Copa das Confederações, no ano passado, ele diz que é cedo para dizer que houve crescimento.
— O investimento foi de R$ 3,5 mil e o lucro, correspondente às expectativas — afirma.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Uma aventura antropológica na Barreira do Vasco:Na convivência com moradores da favela, doutoranda descobre o mundo das redes de compartilhamento




Hilaine e seus vizinhos do Beco da Eunice, na Barreira do Vasco -
Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo

Hilaine e seus vizinhos do Beco da Eunice, na Barreira do Vasco
RIO, 10 (AG) - A antropóloga Hilaine Yaccoub se mudou de mala e cuia, em 2012, de Niterói para a Barreira do Vasco, em São Cristóvão, com a intenção de estudar a lógica por trás dos "gatos". O tema era sua tese de doutorado em antropologia na UFF. Mas, na convivência com os moradores, acabou descobrindo o maravilhoso mundo das chamadas redes de compartilhamento. Traduzindo para o dia a dia, é aquela velha história de cidade de interior. Se o seu vizinho já tem uma batedeira, para que comprar uma? Para que pagar por uma roupa de casamento se consigo uma emprestada? Hilaine observou que na favela é assim: praticamente tudo é dividido, desde água, pontos de TV a cabo, sinal de internet, panela de pipoca e vestidos de festa à educação das crianças. Sem falar na comida. Nestes dois anos morando ou mantendo um escritório na Barreira do Vasco - hoje, ela tem uma quitinete na favela, que usa para estudar -, Hilaine, de 36 anos, engordou cinco quilos. Culpa das panelas dos novos amigos, dos churrascos no beco (oficialmente Beco Eunice Rodrigues, onde fica o seu quartinho) e dos copinhos de Guaravita, um vício que adquiriu na Barreira do Vasco.
Essa vida comunitária, documentada em oito caderninhos de campo, provocou uma reviravolta na pesquisa de Hilaine, que mudou seu objeto de estudo em janeiro deste ano. Agora, ela se prepara para defender no primeiro semestre do ano que vem a tese "Lições da Favela - as Economias de Compartilhamento de Bens e Serviços na Barreira do Vasco". Hilaine, que é originalmente de São Gonçalo, se divide hoje entre a Barreira, seu apartamento em Icaraí, do qual nunca se desfez, e as aulas que dá na ESPM.
- Todos os estudos e pesquisas falam da precariedade das favelas. Mas eu vejo o lado cheio do copo. No meu trabalho, falo de algo importante. Para ser da favela precisa compartilhar.
Estudante mora há dois anos na comunidade
Extrovertida, Hilaine Yaccoub cativou a vizinhança. A antropóloga, que gosta de usar o verbo “favelizar” para pessoas seduzidas pela vida na favela (ela aprendeu que na Barreira moradores rejeitam o termo comunidade), é um caso óbvio de quem “se favelizou”. Ela começou a frequentar a área em 2011, por meio de um ex-namorado, cuja mãe era do lugar. No ano seguinte, conseguiu uma casinha e se mudou. Agora, está no seu terceiro endereço na Barreira (com uma pausa de alguns meses no ano passado, quando ficou sem um pouso na área), desde que transformou a favela em seu campo de pesquisa. A quitinete no beco é um exemplo da hospitalidade tratada no seu estudo: diante da dificuldade que é alugar um imóvel no local, onde os acordos são informais e firmados na base da confiança, ela só conseguiu o quartinho graças a uma indicação de Vânia Rodrigues, a Vaninha, presidente da associação de moradores, de quem virou superamiga.
Com o “contrato” de boca firmado, sem que soubesse, o espaço foi pintado de rosa pink pelo dono, Cícero Ferreira de Andrade, que mora na casa de cima:
— As paredes eram lilases. Achei que rosa era a cara dela.
Hilaine se sentiu definitivamente parte dessa família em janeiro, no seu aniversário, comemorado na Barreira. Na hora de organizar a festa, Vaninha disse que só convidaria para o regabofe “os nossos”. Foi o insight que ela precisava para revolucionar sua tese.
Hoje, ela costuma passar três dias da semana na Barreira, sempre observando, anotando e tirando fotos, sendo que algumas são postadas no Instagram e Facebook. Ela fala pelos cotovelos, mas não faz entrevistas com os moradores. O seu negócio é viver a história e traduzir “o que está vendo e sentindo”.
Um dos seus pontos de observação é a associação de moradores. E a presidente da entidade ainda tenta entender o trabalho de uma antropóloga.
— É a primeira vez que conheço uma an-tro-pó-lo-ga — ri Vaninha, dando pausas entre as sílabas. — Até agora não entendi direito o que é isso. Quando perguntam quem é ela, eu falo que é a maluquinha da Hilaine.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/uma-aventura-antropologica-na-barreira-do-vasco-12452317#ixzz31WpOOkZh
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quinta-feira, 24 de abril de 2014

A PARTE CHEIA DO COPO

Antropóloga, Hilaine Yaccoub relata a experiência de viver na Barreira do Vasco, base de sua tese de doutorado
COLUNISTA CONVIDADO(A): HILAINE YACCOUB
FOTO: ARQUIVO PESSOAL
FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Muitos me perguntam o que faz um antropólogo, e de forma simplista costumo responder que somos tradutores culturais. Explico. A antropologia nasceu com a curiosidade de físicos, botânicos, historiadores etc em conhecer os povos chamados ‘primitivos’ na época das navegações. Aquela ‘gente exótica’, que se vestia diferente, falava outra língua, tinha umas expressões curiosas… até que em dado momento, em vez de achar tudo engraçado ou amedrontador, alguns começaram a querer entender o que motivava aquelas pessoas, quais as suas lógicas de ação, crenças, valores. Aí surge a antropologia, ciência que procura entender e interpretar outros universos sem fazer julgamentos para depois traduzir estas relações.
Procurar povos distantes foi o primeiro passo desse fazer antropológico. No entanto, anos mais tarde, já no início do século XXI, pesquisadores levaram essa forma de ver pessoas e culturas para dentro das cidades. Não é difícil perceber que dentro do nosso bairro, estado ou cidade há grupos que se diferenciam entre si, se vestem diferente, se divertem de formas plurais e vivem a vida de maneiras distintas. Assim, estamos perto e longe ao mesmo de tempo, convivemos com eles e muitas vezes não conseguimos enxergar a riqueza cultural ali traduzida.
Assim ocorreu comigo quando iniciei meu trabalho de investigação na Barreira do Vasco. Alguns amigos se assustaram, porém com o passar do tempo, foram vendo que existe sim uma forma nebulosa de ver essas pessoas. Posso dizer que desde janeiro de 2011, quando fui para lá, nunca encontrei tanta solidariedade, senso de agregação e valor humano nas favelas que conheci. Com a entrada das UPPs e o avanço das empresas, empresários se interessaram pelo filão, promovendo e propondo negócios sedutores, como se moradores de favelas fossem novos índios, ingênuos, vítimas que seriam resgatados e civilizados para o consumo. Bobagem. As pessoas sabem muito bem o que querem e possuem uma racionalidade própria de avaliar custo e benefício — o grande desafio para esse mercado. Para falar para os de dentro é preciso estar lá.
Antropólogos têm sido chamados para os mais variados trabalhos no campo do entendimento do comportamento do consumidor. O que acabei aprendendo é que muita gente descreve, mas pouco se explica. Como estudo acesso e consumo de serviços públicos, só estando lá dentro entendo o drama que é ficar sem luz a noite inteira, sendo mordida por mosquitos, sem água (a bomba não funciona), entretenimento (TV) e sofrendo comum calor absurdo. Da mesma maneira, só estando lá pude partilhar a alegria do retorno da luz ao gritar de felicidade junto aos meus vizinhos, como se fosse gol do Brasil. Ninguém me tira o que vivi. O que pretendo com a pesquisa é demonstrar quão rico pode ser o olhar para um determinado grupo ou lugar se fizermos de um jeito diferente. Em vez de olhar a parte vazia do copo, faço um convite: olhe para a parte cheia.
FONTE: http://blogs.odia.ig.com.br/guia-das-comunidades/2014/03/10/a-parte-cheia-do-copo/