quinta-feira, 26 de março de 2015

Consumo e eixo compensatório: O caso dos churros



Dilema do Churros

Oi, meu nome é Hilaine e ontem eu comi um churros. Diante da moralidade em torno de vários temas, onde nos culpamos por gastar dinheiro em coisas que consideramos (ou consideram por nós) supérfluas, e por esse exato "problema" diminuimos  nossa culpa  recorrendo ao eixo compensatório eu encontrei um caminho. A ideia é elevar o status do bem "supérfluo" em algo considerado básico (necessário), ou um presente pra si mesmo diante de um esforço descomunal... pois bem...me vi nesta situação em torno de um churros.
A pessoa em questão, no caso, eu... passa o dia correndo de lá pra cá, atende alunos, dá aula, encontra um amigo que precisa do seu suporte, 5 horas de sessão de terapia praticamente...parte da conversa sentados num café onde não vendia água sem gás (me senti uma pobre), e outra parte em pé, uma tentativa (em vão) de encurtar o encontro. Estava eu em pé na rua conversando e eis que vejo ela... brilhando atrás do ombro do meu amigo frustrado e lamurioso: a carrocinha de churros.
No início tentei encurtar a história, mas aquelas palavras me atraiam de uma forma que não consigo definir C-H-U-R-R-O-S. Encontro então um tentativa louca e interna de resistir, penso na lipo e cirurgia plástica que acabei de fazer e, portanto, não era conveniente, comer um churros gorduroso, frito, de rua. Dane-se. Não funcionou. Tentei então tomar frente da conversa e falar, falei muito pra tentar desfocar da carrocinha, funcionou por uns 40 minutos, até que ele recebeu zilhões de ligações e tinha que ir embora, lá estava eu, pronta pra cair em tentação. A filha da puta da moça da carrocinha (sem saber era meu Lúcifer) que só piorou a situação quando numa atitude desleal começa a fritar novos churros. E sabe o que é melhor que churros? Churros recém frito! Ferrou. Já era. Fui lá, comprei e descobri uma maneira de driblar minha culpa: A partir de hoje eu me darei um "presente do dia" todos os dias. A felicidade ao alcance da sua mão diariamente. Ontem me presenteei com churros e hoje resolvi fazer uma esfoliação nos pés, agora tenho pés de moça. Quanto ao "presente do dia" de amanhã...sei lá, "deixa acontecer naturalmente" como ja dizia o pagodeiro.

terça-feira, 24 de março de 2015

O beijo gay da novela das 21h


Semana passada o tema virou polêmica em todo lugar por onde andei, na faculdade em que trabalho, nas redes sociais, nos sites, nas esquinas, enfim, era o grande tema do momento. Esqueceram os coxinhas, os petralhas, até a Dilma ficou em segundo plano, pois era mais importante falar de duas mulheres mais velhas se beijando. O caso me fez lembrar a primeira vez que tive contato com o universo gay feminino. Uma amiga da faculdade havia se apaixonado por sua melhor amiga e descoberto sua sexualidade, e antes de saber a história toda ela vivia uma vida meio misteriosa nesse campo, algo que era muito corriqueiro duas colegas contarem suas intimidades, no nosso caso era diferente, ela parecia uma ostra. Até que um dia, diante das minhas muitas perguntas sobre sua vida pessoal, ela me chamou em um canto e me contou "Hilaine, meu namorado é a Mariana". Na hora eu percebi o grau de complexidade que aquela revelação significava para minha amiga de trabalho e faculdade, ela se abriu pra mim de uma forma tão dolorosa que não pude deixar de criar uma imensa e profunda empatia. Só então eu pude perguntar tudo que havia na minha cabeça sobre o que era ser gay, o que e como era nutrir sentimento tão profundo por alguém do mesmo sexo. Ela me respondeu simplesmente "a gente se apaixona por seres humanos, às vezes eles possuem o mesmo gênero que a gente". Inteligente, objetiva e muito perspicaz ela conseguiu traduzir em uma frase a beleza do significado do amor. Eu tinha lá meus vinte e poucos anos e tive a sorte de compreender que amor não tem regras, não tem pudores culturalmente e socialmente construidos, acontece e explode. Ao ver o episódio da novela em questão eu vi um casal, duas mulheres lindas que desde o começo da cena demonstraram uma cumplicidade comovente ao tratar de um problema vivenciado por uma delas. A outra a ouviu com atenção, ofereceu ajuda, a amparou, tocou-lhe o rosto de forma terna. Até que nós, espectadores, embalados pela voz de Maria Bethânia somos levados a um outro plano, um estado onde pouco importava se era homem ou mulher, pouco importava se eram jovens ou velhos, eu senti um arrepio na alma porque as duas grandes atrizes conseguiram demonstrar de forma plena e contundente o que é suporte emocional, cumplicidade e mais que tudo, amor. Lindo. E ainda perguntam se o exemplo seria adequado para o horário. Ora ora não seria esse o tipo de relacionamento mais desejado de tão raro que é em tempos atuais?

segunda-feira, 23 de março de 2015

Passei o marca texto no Culturelab.

 Mais um feedback, desta vez da Bruna Machado que trabalha com pesquisa de moda.
Obrigada pelo carinho e pelo abraço imaginário. Você fez a nossa vida muito mais feliz, aposte nisso.